sábado, 28 de novembro de 2009

Vermelho

Toda manhã, quando acordo
Visto uma personagem
E toda noite, quando ardo
Desnudo uma mulher

Sou Rocha, perene e dura
Mas não fria
Sou ígnea, sou magma
Vulcânica, furiosa

Sou também Mel
Viciante, agridoce
Olhos dourados
Queimando as sombras.

Sou rosa imperfeita
Sou sua.

(sem data)

São Paulo

Vou me arrepender deste poema pela manhã
Quando estiver sóbria
O copo com um restinho de scotch
É um cúmplice reconfortante
A madrugada eriça minhas costas,
Me chamando com as unhas geladas
Para a realidade barulhenta da metrópole
Não sei quantos milhões de almas
Ressonam, matam, dançam e gozam na noite.
Dentro de mim, solidão
Que longe de ser triste
É a minha saudável loucura
As horas de pensar, de sentir o mundo
Porque não sou dada a mistérios,
Não, não sou uma Mata Hari,
Uma femme fatale
Eu sou óbvia e contraditória
Falante, alegre-triste, mordaz
É assim que eu vejo a cidade:
Par ação-reação do meu destrambelhamento.

1h45 da manhã, 28/11/2009
bêbada

Vou ali, me matar, e já volto!

Tomo um uísque com gelo
Para lembrar que a vida é boa
Nesta noite, todas as ironias se encontram
Numa esquina contundente
Gostaria de ser como um amigo meu:
Apesar de todas suas tragédias,
Sempre sorri e faz sorrir.
A minha vida nem é tão ruim assim,
Mas eu não tenho nos lábios um sorriso,
Na boca, uma doçura
Para combater o amargo dos dias...
Eu sou toda teimosia e arrojamento petulante.
O que me faz ir em frente
É não dar, aos que me detestam,
O gostinho de me ver cair.

1 hora da manhã 28/11/2009
puta da vida

Espetinho

Crua e exposta
Toda carne, sem charme
Sem falsos mistérios, sem alma
Me devora aos bocados
Sem culpa, sem compromisso
Se a Santa Inquisição quiser me queimar,
Fico em brasas, exultante!
Me queima, me julga!
Isso mesmo! Eu adoro sua falsa moral!
Pode me chamar de pu...ra
Mas, se for fazer um churrasco,
Me chama:
Dou uma excelente picanha sangrando!