quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crônica: A Princesa e a Ervilha

Estava com a minha amiga S.V. no telefone e surgiu essa imagem na minha cabeça para explicar como eu via a situação dela: "A Princesa e a Ervilha".
Toda noite quando deita na escuridão, isolada no seu quarto, seu íntimo fica mais íntimo, a ponto de intimidar você: é inevitável fugir das pequenas e grandes questões que a incomodam.
Está deitada no aconchego da cama macia, mas aquele problema embaixo do seu colchão lhe incomoda, não a deixa dormir. Vira-se para o lado da porta, em busca de uma solução. A ervilha cutuca então um ponto dolorido do seu âmago. Vira-se então para a parede, para ignorar o probleminha chato e enfim, encontrar o sono. Sementinha torturantemente filha-da-puta e verde! Não deixa você dormir!!! Deve ser alérgica a ervilhas, porque agora, está até com dor de cabeça... (eu sempre achei que ervilha tinha gosto de coisa velha, principalmente as enlatadas. Por isso, minha amiga, nunca como essa coisa verde-nojentinha!)
Então, decidida, vira de barriga para cima, disposta a lutar incansavelmente pelo seu direito de descansar em paz. De não pensar mais. E fica difícil até de respirar, porque nessa posição... dá... falta... de... ar... e ainda pode ver as sombras dos seus problemas se esgueirando pelo teto, rastejando da luz que penetra da janela até você!
Finalmente, você dorme. Depois de muito se enroscar e tropeçar em travesseiros e lençóis. E,literalmente, num piscar de olhos, você acorda: a luz do dia seguinte cegando seus pensamentos como um flash. Naquele sonambulismo de quem teve uma noite mal-dormida, enfrenta suas tarefas diárias, automaticamente. E não decide nada. Ou se decide alguma coisa, isso não a contenta realmente. Não faz você feliz. É porque não acordou ainda.
Acorde. Sonhe o que quer para si. Sonhe profundamente, olhe para dentro dos seus olhos e veja: veja o que eles vêem no futuro. Acorde para esse dia seguinte. Desabrochando no seu jardim, exalando o perfume das pétalas do seu coração que se abrem sem medo do mundo. Você é mágica, perfeita nas singularidades dos seus pequenos defeitos. Espalhe no ar seu pólen, seu frescor. Você é linda, você é flor sim. Mas é planta que não pode ser cultivada num vaso. Seu adubo é liberdade.

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