Fui ler a crônica " O Ovo e a Galinha" de Clarice Lispector, após assistir no Youtube à sua ùltima entrevista, em 1977, pouco antes de sua morte. O que me levou a procurar esse texto foi o fato de Clarice comentar que ela mesma não o entendia e aí, é claro, despertou minha curiosidade.
É um texto longuíssimo, sobre o ovo. E sobre a galinha. E sobre o Universo inteiro e todas as coisas nele, nas relações mais complexas, amalucadas e impossíveis. Tudo para quê? Para, na minha presunçosa opinião, mostrar a dificuldade de ser simples, simples como um ovo. Porque, a partir do momento em que você se preocupa em definir a simplicidade, já complicou as coisas e o sentido se perdeu. O simples se perdeu, porque a explicação o tornou complicado, atribuindo a ele sentidos que não lhe são próprios.
Acho que a beleza de Clarice Lispector é ter esses rasgos de genialidade e ironia, fisgar irresistivelmente seus leitores criando uma aura de mistério a ser explorada. Despertou a curiosidade acerca do ovo e a galinha para explicar o simples, complicando muito para demonstrar o quão desnecessária é a masturbação mental. Tanto que nem li o texto inteiro, fui pulando uns pedaços... enfim, até a estética de um ovo é simples. Para quê me complicar em mais explicações e deturpar a ideia inicial? Termino aqui.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
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